Frequente em nossos animais de estimação, a doença periodontal não acomete apenas as estruturas que envolvem e dão sustentação aos dentes – atinge também os órgão vitais A principal causa da doença periodontal é a presença da placa bacteriana, substância viscosa perceptível sobre os dentes e dentro do sulco gengival. As bactérias predominantemente encontradas nela são micro-organismos com pouco poder de causar doenças. A manutenção desses microorganismos na boca, porém, provoca a formação de tártaro e infl amação da gengiva, a qual reage se retraindo. Com a proliferação do tártaro, há a formação de cavidades, as chamadas bolsas periodontais. Essas bolsas favorecem ainda mais o acúmulo e a proliferação de bactérias mais patogênicas e lesivas do que as anteriores.
A inflamação da gengiva se agrava, com lesões destrutivas das estruturas de sustentação do dente. Como consequência, os dentes afetados podem se tornar móveis e até cair. A natureza da doença periodontal é essencialmente crônica,isto é, ela perdura por longo período, causando prejuízos inicialmente na cavidade oral e, mais tarde, em órgãos distantes. Da boca para o corpo - De maneira geral, há três possíveis mecanismos pelos quais as infecções orais podem causar infecção a distância: por migração das bactérias orais pela corrente sanguínea; por lesão causada pelas toxinas produzidas por essas bactérias e transportadas pela circulação; e por infl amação induzida pelas proteinas infl amatórias originadas na doença oral crônica. Há muito é conhecida a relação entre doença periodontal e doença renal. Inicialmente, acreditava-se que a periodontite era uma das complicações da doença renal crônica.
Hoje se reconhece que os fatores infl amatórios liberados na presença de periodontite são potenciais agentes de lesão aos glomérulos renais. A doença renal se torna crônica, como a doença periodontal, numa via de mão dupla muito prejudicial ao organismo. Nas doenças infecciosas do coração de cães e gatos (endocardites bacterianas), bem como nas doenças pulmonares de cães idosos, estudos apontam para o envolvimento de bactérias comuns na doença periodontal, Artrites também podem ser agravadas pelas substâncias produzidas na presença de doença periodontal. Nos cães e gatos diabéticos, frequentemente encontramos altos índices de doença periodontal. Depois do tratamento odontológico, há uma melhora no controle da doença e inclusive diminuição nas doses de insulina. Até anemia de doença crônica tem sido descrita em cães com doença periodontal grave. O que fazer - O melhor tratamento é a prevenção. Escovar os dentes do cão ou gato, é uma prática que deve ser cada vez mais difundida. A profi laxia oral deve ser realizada por um veterinário com habilitação em odontologia. Depois de o animal passar pelos exames clínicos e laboratoriais de rotina, institui-se uma terapia antibiótica e determina-se a data do tratamento. Pela impossibilidade de fazer o procedimento num animal acordado, é aplicada anestesia geral. A recuperação e o retorno do paciente, na maioria das vezes, são bastante rápidos e tranquilos. Investir na saúde oral de nossos animais de estimação é uma prova de amor e inteligência, além de ser amplamente compensatório. Afinal, a saúde começa pela boca.
Dr. Fernando Morata - Médico Veterinário
Fonte: Renato Tartalia (pós-graduado em odontologia veterinária pela Anclivepa-SP, diretor da Anclivepa-SP e proprietário da Clinica Animal Dental - www.animaldental.com.br)
Saúde Animal
22/02/2012
Frequente em nossos animais de estimação, a doença periodontal não acomete apenas as estruturas que envolvem e dão sustentação aos dentes – atinge também os órgão vitais A principal causa da doença periodontal é a presença da placa bacteriana, substância viscosa perceptível sobre os dentes e dentro do sulco gengival. As bactérias predominantemente encontradas nela são micro-organismos com pouco poder de causar doenças. A manutenção desses microorganismos na boca, porém, provoca a formação de tártaro e infl amação da gengiva, a qual reage se retraindo. Com a proliferação do tártaro, há a formação de cavidades, as chamadas bolsas periodontais. Essas bolsas favorecem ainda mais o acúmulo e a proliferação de bactérias mais patogênicas e lesivas do que as anteriores.
A inflamação da gengiva se agrava, com lesões destrutivas das estruturas de sustentação do dente. Como consequência, os dentes afetados podem se tornar móveis e até cair. A natureza da doença periodontal é essencialmente crônica,isto é, ela perdura por longo período, causando prejuízos inicialmente na cavidade oral e, mais tarde, em órgãos distantes. Da boca para o corpo - De maneira geral, há três possíveis mecanismos pelos quais as infecções orais podem causar infecção a distância: por migração das bactérias orais pela corrente sanguínea; por lesão causada pelas toxinas produzidas por essas bactérias e transportadas pela circulação; e por infl amação induzida pelas proteinas infl amatórias originadas na doença oral crônica. Há muito é conhecida a relação entre doença periodontal e doença renal. Inicialmente, acreditava-se que a periodontite era uma das complicações da doença renal crônica.
Hoje se reconhece que os fatores infl amatórios liberados na presença de periodontite são potenciais agentes de lesão aos glomérulos renais. A doença renal se torna crônica, como a doença periodontal, numa via de mão dupla muito prejudicial ao organismo. Nas doenças infecciosas do coração de cães e gatos (endocardites bacterianas), bem como nas doenças pulmonares de cães idosos, estudos apontam para o envolvimento de bactérias comuns na doença periodontal, Artrites também podem ser agravadas pelas substâncias produzidas na presença de doença periodontal. Nos cães e gatos diabéticos, frequentemente encontramos altos índices de doença periodontal. Depois do tratamento odontológico, há uma melhora no controle da doença e inclusive diminuição nas doses de insulina. Até anemia de doença crônica tem sido descrita em cães com doença periodontal grave. O que fazer - O melhor tratamento é a prevenção. Escovar os dentes do cão ou gato, é uma prática que deve ser cada vez mais difundida. A profi laxia oral deve ser realizada por um veterinário com habilitação em odontologia. Depois de o animal passar pelos exames clínicos e laboratoriais de rotina, institui-se uma terapia antibiótica e determina-se a data do tratamento. Pela impossibilidade de fazer o procedimento num animal acordado, é aplicada anestesia geral. A recuperação e o retorno do paciente, na maioria das vezes, são bastante rápidos e tranquilos. Investir na saúde oral de nossos animais de estimação é uma prova de amor e inteligência, além de ser amplamente compensatório. Afinal, a saúde começa pela boca.
Dr. Fernando Morata - Médico Veterinário